Acelerando rumo à “Ciência Pop”
A era que se abre não é apenas de uma nova física, mas também a da “Ciência Pop”. Dia 30 de março, o maior acelerador de partículas do mundo estabeleceu um novo recorde para colisões de alta energia, chegando a sete tera elétron-volts, dentro de um túnel circular de 27 quilômetros, a cem metros de profundidade. Durante o maior experimento da física, jornalistas de todo o mundo desembarcaram na fronteira da França com a Suíça e tiveram acesso ao vivo a quase tudo o que ocorria nas salas de controle.
A orientação do diretor do Laboratório Europeu de Física Nuclear (Cern), Rolf Heuer, foi usar a ocasião numa espécie de espetáculo com o objetivo de popularizar a ciência.
– Queremos que as pessoas passem a falar de ciência com naturalidade, quase como se falassem de futebol – afirmou o diretor de comunicações da entidade, James Gilles.
O Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) colidiu dois feixes de prótons a uma velocidade três vezes maior que o recorde anterior. Cada colisão entre as partículas recria as condições de criação do Universo, permitindo aos milhares de cientistas vinculados ao projeto rastrearem e analisarem o que aconteceu um nanossegundo depois do hipotético Big Bang original, 13,7 bilhões de anos atrás.
O LHC, um projeto de US$ 10 bilhões, é parte de uma ambiciosa experiência que busca revelar detalhes sobre micropartículas e microforças teóricas. A ideia é que esses testes ajudem a lançar luz sobre as origens do Universo, além de responder a importantes questões da física como a formação da matéria.
Significado da experiência será traduzido para alunos
E a entidade não economizou tempo, nem recursos, para tornar sua invenção popular. Além do circo midiático, o Cern disparou mensagens eletrônicas via SMS e Twitter assim que a experiência teve sucesso. Os cientistas, nem sempre acostumados às câmeras, receberam treinamento. O Cern designou ainda um pesquisador de cada país para explicar, em sua língua de origem, o que a pesquisa significava para a humanidade.
– Queremos dar um novo oxigênio à ciência – disse Gilles.
Dois professores de física da Suécia e da Universidade Berkley, nos EUA, receberam a tarefa de traduzir para livros escolares o que a pesquisa pode representar para a história da física.
– Nosso objetivo é voltar a gerar o interesse das crianças pela ciência. Por isso, escolas não podem mais ensinar apenas o que ocorria há 200 anos. Temos de mostrar a nova ciência – afirmou o físico sueco Erik Johanson, um dos encarregados pela cartilha.
Ontem, muitos cientistas compareceram ao evento vestindo ternos, para a surpresa dos demais.
– Nossa, que elegância – brincou a italiana Fabiola Gianotti, representante do projeto Atlas.
– Merece – respondeu um colega.
Fonte:
Zero Hora
Postado por:AC 31/03/10